sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Olhar



Olhar

Sublime ato.

Sabemos olhar?

Para uma nova vida um novo olhar.

Quem terá a coragem de mudar o olhar?

E se auto-olhar?

Deixar o olhar que julga para o que compreende.

Deixar o olhar que estreita para o que amplia.

Deixar o olhar que teme para o que confia.

Deixar o olhar quer tira para o que doa.

Deixar o olhar que bate para o que acaricia.

Deixar o olhar que aprisiona para o que liberta.

Deixar o olhar sem fé para o que transcendente.

Deixar o olhar que separa para o que une.

Deixar o olhar que pesa para o que se eleva.

Deixar o olhar orgulhoso para o humilde.

Novas consciências, novos olhares e um novo mundo!

Olhares que buscam olhares.

Olhares que admiram olhares.

Olhares que gratificam olhares.

Olhares que ampliam olhares.

Olhares que iluminam olhares.

Olhares que testemunham olhares.

Olhares que compreendem olhares.

Olhares que confiam em olhares.

Olhares que acolhem olhares.

Olhares que sentem olhares.

Olhares do porvir...

Olhares que brilham...

Olhares que comungam...

Olhares misericórdiosos!

Olhares de existência,

de essência,

e de vida!

Olhares do mundo para um Novo Mundo.

Juntemos os olhares em um único Olhar,

O Supremo olhar do Amor!

Rosa Barros

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Máscara


No imenso baile de máscaras da vida...

Mascarados escodem suas reais intenções,

desejos, aspirações, sentimentos e emoções!

A sociedade fabrica medos e conflitos inconscientes,

perturba o sono dos inocentes.

Para cada situação uma máscara apropriada.

Para lidar com o desconhecido a defesa é acionada.

Mecanismos de adaptação querem nossa adequação.

No teatro da vida,

O ego é o diretor defensivo desta peça.

O medo escreve o roteiro.

O inconsciente determina as ações.

"Dores na alma" tendem a continuar a atuação.

Vários "eus" aparecerão.

Como bons atores gregos vamos atuando sem percepção.

A consciência então nos convida à reflexão,

e solicita que o medo se retire do salão.

Máscaras são defesas, nos protegem de situações desconhecidas e

embaraçosas, daquilo que não sabemos lidar.

Máscaras podem ser adequadas ou não. Depende do tempo de duração na utilização.

Que neste imenso baile de máscaras possamos

retirá-las sem medos e vivermos a autenticidade de sermos nós mesmos.

Cada ato ou atitude tem uma razão anterior a sua ação.

Por isso muito autoconhecimento e auto-análise sem autocondenação.

Rosa Barros

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Silêncio


Aconchego e intimidade.

Naquele momento uma pausa.

Almas silenciadas se penetraram...

Os olhos se encontraram em suas imensidões.

Neste encontro silencioso diálogos profundos se deram.

Mergulhados estavam no mar do amor,

não havia mais barulhos ou murmurinhos.

E então a paz foi selada com um beijo.

Naquele momento se completaram e se amaram.

O amor é sereno e sua linguagem é o silêncio.

Silencie!!

Rosa Barros

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo!!!!



Texto de : Buda, Cecília Meireles, Confúcio, Emmanuel, Gabriel Garcia Márquez,

Khalil Gibran, Chico Xavier, Joseph Murph e Charles Chaplin.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Doce menino


Brincava com as ovelhas e sentia enorme carinho por tudo o que existia.

Do seu doce olhar saía encantamento e alegria.

Brilhavam feito a mais bela poesia!

Ninguém entendia como aquele simples menino acalmava a todos feito magia.

Ninguém jamais o vira triste ou infeliz.

Costumava falar palavras simples mas com profunda sabedoria

retirada da natureza que ele contemplava todos os dias.

Ele era tão belo que emocionava a todos.

De seu sorriso largo enfeitado com travessuras típicas de uma criança

alegrava e contagiava qualquer lugar.

Sempre tinha uma palavra de carinho e de suas belas maozinhas saiam

a cura para todas as dores e males.

Olhinhos penetrantes ele tinha e sabia o que se passava em cada coração.

Por isso era pura compaixão!

Costumava ir ao templo com seus pais e com seu jeito meigo infantil

falava aos doutores da lei e sábios religiosos que a verdadeira religião é aquela

que transforma o homem para melhor e que não dessem excessiva importância

as formas e aparências. E logo depois saia e corria sem parar.

Todos se olhavam sem saber o que pensar.

Seu nobre coraçãozinho pulsava alegremente. Era espontâneo, inocente!

Boatos surgiam em todos os lugares. Uns o adoravam e outros o temiam.

Sua mãe lhe acariciava com ternura e seu pai lhe olhava com brandura.

Sempre que seu olhar penetrava o de sua mãe o amor ali permanecia.

De seu pai aprendeu a ser responsável e a dignificar o trabalho. Ele era

artesão. Dava vida e utilidade à madeira talhada à mão.

Aquele menino...

Ele exalava o doce aroma do bom senso e era tão pequeno...

Sereno como a lua.

Entendia a harmônia da vida a cada nascer do dia e a cada cair da noite.

Brincava de voar com os pássaros. Era livre!

Sempre que se banhava no rio, renascia. Renovado, seguia.

Ele sabia. Abastecia sua alma com os frutos da vida.

E para as almas que cruzavam o seu caminho, sacia.

Era Todo-compassivo, a sanidade estabelecia.

Socorria e saia sem nada a temer.

Era puro ânimo, era pura alma.

Quando olhos em conflito cruzavam os seus exergavam horizontes de

coragem e esperança.

Doador. Doava Amor.

Este doce menino nos deixou a mais nobre lição.

Trocar a necessidade de sermos amados para a necessidade de aprender a

amar. E amar sem condições.

Suas pegadas deixaram marcas profundas por onde ele passou e brilham

até hoje.

Menino luz! Lucidez do mundo!

Plantou as sementes do amor em cada coração na esperança que

a Terra se transforme em um lugar de paz e fraternidade.

Feliz Natal a todos!!

Rosa Barros

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sorriso


Saberia você ler o meu sorriso?

Saberia você distinguir as sutilezas dos vários sorrisos meus?

E neles ler os meus sentimentos...

Saberia ler o meu sorriso que esconde mistérios?

Saberia apreciar o tom rosáceo que salta do meu sorriso

quando minha alma se abre em flor.

Saberia você reconhecer o sorriso no silêncio secreto de minha alma?

Perceberia o meu sorriso de intensas sensações e contradições?

Distinguiria o meu sorriso mesclado aquele desconfiado com o bem-humorado?

E o meu sorriso que contagia e acaricia?

Perceberia o meu sorriso poesia?

E o sorriso sintonia?

Perceberia o sorriso que se entrega a cada dia e vive em "estado de graça"

em comunhão com a alegria?

Conseguiria reconhecer o meu mais doce sorriso

aquele que abranda o coração e ama sem proporção?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Paixão


A marqusa de Sévigné¹ era de uma beleza rara. E estava tão acostumada a ser cortejada, que o fato de até um leão apaixonar-se por ela não era de estranhar.
No tempo em que os animais falavam , era comum que eles ambiocionassem fazer parte do convívio humano. Afinal, tal qual os humanos, eles também tinham inteligência , força , coragem e até se comumicavam usando o mesmo código dos homens.
Foi nessa época que o leão apaixonou-se pela bela senhorita Sévigné e, sem demora, pediu-a em casamento.
O pai da jovem assutou-se. Ele queria para a filha um marido um pouco menos terrível, mas temia que uma recusa pudesse apressar um casamento clandestino. Com sua experiência , ele sabia que o fruto proibido tem sempre paladar melhor.
Resolveu então aceitar a proposta do leão e disse a ele:
-Agrada-me a idéia de tê-lo como genro, mas preocupa-me o fato de que você machucará
o corpo delicado de minha filha com suas garras , e, ao beijá-la, os seus dentes impedirão que ela lhe corresponda com prazer.
E o leão apaixonado permitiu que lher cortassem as garras e lhe lixassem os dentes.
Sem garras e sem dentes, sua fortaleza foi destruída e um bando de cães o atacou, sem
que ele conseguisse se defender.
Ah! A paixão! Feliz daquele que escapa dos seus ardis!

¹Fábula de La Fontaine chamada " O leão Apaixonado". Nesta fábula La Fontaine
homenageia à beleza da Marquesa de Sévigné, Mari de Rabutin Chantal.( escritora FRacesa. 5/02/1626 - 17/04/1669)


Ah! A paixão!!

Como entender as diferenças entre paixão e amor?

Como estabelecer a dignidade íntima?

A dignidade íntima é respeito, consideração e estima.

Você tem consciência do seu autovalor?

Quantos de nós não nos comportamos igual este leão apaixonado "sem garras e em

sem dentes" na mão de seus pretendentes.

A nossa intimidade fica arrasada e não somos donos mais de nós mesmos.

Você entrega o controle de sua vida a outra pessoa?

Cortam suas garras e lixam os seus dentes?

Onde está a sua dignidade pessoal?

Sem dignidade a tendência dos relacionamentos íntimos é de serem frágeis.

Ah!As nossas fragilidades!! Quanta vulnerabilidade!

Viramos crianças fragéis e nos colocamos na situação de vítimas.

Mas também quanta opostunidade de crescimento de nosso mundo íntimo!!

Ah! A paixão!! Como gostamos dela e como somos viciados no enamoramento, é tão bom!

A sensação de "felicidade" nos toma, sentimos uma agonia mas ela é tão prazerosa!

E do "nada" aquele ser que aparece em nossa frente se transforma no nosso "Amado",

a fonte de nossa alegria, o calor dos dias, a razão de viver, enfim...

Nos tornamos cativos. Ah! Que sedução!!!

Seduzir, ser seduzido e por aí vai o jogo da paixão. Que comichão!

É o melhor dos vícios, até que um dia o nosso amado não corresponde as nossas

mais sinceras e doces fantasias.

Acreditávamos que ele nos aliviaria a dor de nossos dias amargos, dos nossos

dias solitários, da nossa realidade intolerável.

Acreditamos e acreditamos que o nosso amado nos trará segurança, nos completará,

nos aliviará todas as dores, viveremos só de amores.

Compulsão afetiva de ter sempre alguém por perto?

E aonde vai parar a nossa própria motivação para viver?

E aonde vai parar a nossa própria valorização?

Alucinados, anestesiados porém deslumbrados!!!

Ah!A paixão!

Como é gostoso sentir esse "fogo que arde sem doer".

Quantos mitos, quantas crenças idealizadas sobre o Amor...

Mas assim nasce a poesia romântica... e a vida seria muito triste sem poesia.

Ah! Como é belo ...e como sofremos!!

Mas faz parte da vida e do despertar do Amor.

As projeções amorosas fazem parte de nosso universo afetivo em

desenvolvimento. Crescer pela dor também faz parte da vida.

Mas amor que nos traz uma contínua dor não é amor. Algo vai mal e muito mal.

E a paixão é esse deslubramento por nós mesmos no outro.

As paixões são projeções de nossa própria historia amorosa, daquilo que sonhamos,

queremos e "vemos" no outro. E quando esse outro quebra estas conexões a desilu-

são aparece. E tomamos um jato de água fria. É como sair de um sonho, acordar,

despertar. Nos sentimos totalmente de ressaca. E choramos... pelos nossos sonhos.

É o triste despertar e é a saída das projeções.

Mas a admiração é algo genuíno, um passo para o amor real. Entretando devemos

nos conhecer bem para não sermos seduzidos por nossas projeções que geram as

expectativas.

Digamos que a paixão pode ser um caminho para a descoberta do amor mas ela terá

que sair de cena , ou melhor, ser transformar para que possamos olhar a realidade

e amar de verdade.

Só o amor pode tudo e com amor tudo pode!

Mas deve ser estimulado e compartilhado. Diante de pessoas que não querem

ou não podem a situação pode ficar embaraçosa e humilhante para aquele que ama.

Então que possamos entender que não se tira leite de pedra e não se força

ninguém a nos amar. Quer ou não quer, ponto final.

Ah! A paixão!!! E a gente gosta desse desassosego na alma...

Mas o vicio é corrosivo e perdemos o nosso poder pessoal.

O ideal é que estivéssemos no nível de amar sem medo, dizer a verdade sobre o que

sentimos. Fiés aos nossos sentimentos não teremos medo da rejeição. Isso é ser

livre e digno.

O Amor sempre pondera e propõe liberdade.

Para amar é necessário deixar Ser e libertar!

Se o nosso amado ou amada foi embora nunca o tivemos e se voltar é porque o

conquistamos.

"Ah! A paixão!! Feliz daquele que escapa dos seus ardis!"

Rosa Barros