segunda-feira, 28 de maio de 2012

A voz do útero

Uma coisa que sinto é que a voz do útero é a voz do amor. Ele se contorce porque ainda estamos amarradas e aprisionadas. Os tempos atuais são outros, o feminismo abriu caminho às avessas e usamos a força do masculino adoecido o tempo todo: a dureza, a negação da emoção, do afeto, a luta pelo poder, fechamos os nossos corações. O mesmo sofrimento impingido, passamos a impingir. Para mim este o grande equívoco do movimento, não digo que não tenha sido necessário pois só assim ela pode sentir sua autonomia e sua independência. A luta pela igualdade é necessária, pois é necessário este ambiente para que o amor e consequentemente o respeito floresça. Foi e ainda é um movimento importante de conscientização para que as mulheres ganhem autonomia interna, independência, maturidade, sair da condição de criança carente , do vitimismo, do parasitismo. Tudo isso, banhado pela consciência amorosa para consigo mesma. No meu sentir sem essa consciência não há transformação possível. Abertura para amar, deixar a voz do coração falar. Quando há muito medo não há amor. E essa para mim é toda a dor do feminino. Porém, o momento é de retorno as nossas essências, e é por isso que as mulheres estão tão cansadas, pois elas precisam de sua força essencial, de seu amor de volta! As mulheres confusas e por isso cindidas ( entre a santa e a puta) não reconhecem a supremacia do amor que brota do seu ser. Esta é a sua finalidade última. É a questão de sua energia, é a função de sua essência. Sinto que há um aprisionamento deste útero que quer amar e não sabe porque se aprisiona em sua própria dor, não vê saídas, não vê perspectivas, se vê algemada o tempo todo. Vê que o mundo ainda lhe submete, a constrange por toda essa história que já conhecemos. Será que não está na hora de olharmos para este corpo de dor e fazer um ritual de despedida? De limpeza, de cura? Não conseguimos ser inteiras porque o corpo de dor vive nos remetendo a essas injustiças que recebemos, tal qual uma criança carente, que não aceita mas também não se mexe, só reclama e continua a se submeter. Amar é essencialmente a nossa função. Não é ser boazinha é ser boa. Não é ser passiva, é ser consciente de seus movimentos e quando deve fazê-los. É ter voz. É alcançar a nossa SABEDORIA perdida por entre vários opiniões, teorias e etc... É reconhecer e nos apropriar inteiramente de nosso poder. Já está na hora ao meu ver da força se expandir, não é lutar é amar. Lutas e guerras não é da ordem do feminino. O feminino quer lembrar a mulher de como é amar e devemos nos amar para poder curar o que nos cerca de ignorância e temor, dentro e fora de nós. Consciência sim, de nossa história antropológica e de nossa força espiritual pois precisamos nos libertar emocionalmente e mentalmente para sermos verdadeiramente LIVRES. Precisamos SER ESTA MULHER, que deixa a voz do útero falar, ainda estamos profundamente condicionadas as nossas dores. Uma coisa é ter consciência delas, outra coisa é tê-las como "armas" de proteção ou mesmo no uso de vinganças veladas ou não. Livrai-nos oh Mãe dessa dor que a mulher acaba cultivando em si! Para além de todas as pressões que ainda sentimos e vivemos, devemos seguir sem medo a mensagem da rosa, a essência do feminino em sua leveza, pureza, em seu aroma, em sua beleza, no amor que espalha e de seus espinhos que revelam que ela não é frágil e nem tampouco desprotegida. É consciente de sua força, beleza , sabedoria e dignidade! Rosa Barros

Corpo de dor

TODOS NÓS CARREGAMOS UM CORPO DE DOR, e o que é isso? Tendência HUMANA, de perpetuar emoções antigas e quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais. E o que isso quer dizer? Existem várias dimensões no Corpo de Dor Coletivo e uma delas é o Corpo de Dor Feminino. Temos o corpo de dor de raças, tribos , nações, etc. Ou seja, corpo de dores coletivos onde alguns são mais pesados do que outros. Quase toda mulher tem a sua parcela no corpo de dor feminino que tente a se tornar ativo no período hormonal da mulher, na pré-mesntruação. E nessa fase podem ser dominadas por uma intensa emoção negativa. Isso devido a supressão do PRINCÍPIO FEMININO na coletividade, não só nas mulheres. Ao longo de mais de 2mil anos quando o ego tomou total primazia na psique COLETIVA. Todos temos egos mas a força de enraizamento ficou muito mais acentuada na forma masculina. Isso porque as mulheres se identificam menos com a mente que os homens. São mais emoção e não razão. As mulheres estão mais em contato com o corpo interior e a inteligência do organismo que lhes dão maior nivel intuitivo. A forma feminina não se encontra tão fechada quanto a masculina, ela tem mais abertura e sensibilidade em relação as outras formas de vida. A sua ligação é muito mais profunda com a natureza. Se tivéssemos em equilibro da forças masculinas e femininas não teríamos arruinado o planeta e nem mesmo o EGO dominaria, nos tornando seres alienados. Sim, e o corpo de dor feminino; sabe-se que ao longo de 300 anos entre 3 a 5 milhões de mulheres foram mortas pela Santa inquisição. Isso foi um HOLOCAUSTO. Capítulos sombrios da HUMANIDADE. O sagrado feminino foi declarado DEMONÍACO, e toda a dimensão do feminino foi desaparecendo significativamente da experiencia humana. Mulheres desenvolveram a famosa MANIPULAÇÃO FEMININA, junto as forças MASCULINAS, e se utilizando do principio masculino para poderem SOBREVIVER. Afinal, não tínhamos nem ALMA. As grandes religiões reprimiram a mulher. Judaísmo, Cristianismo, Islamismo e até o Budismo embora menos violento. HOMENS podem estudar as mulheres, mas quem sabe sobre isso somos nós. Por mais cultura que os homens tenham, JAMAIS, saberão o que é estar num corpo feminino. Mas os homens também possuem a energia do feminino neles, é da ordem natural essas duas energias estarem atuando juntas. Mas nós alijamos uma em detrimento da outra. E daí vem todo o desequilibrio do viver de HOMENS E MULHERES. Como do desequilibrio da vida. Mulher virou propriedade dos homens. E os homens negaram o feminino neles, e passaram a comandar o mundo, e vemos como está. O resto é história e de pura insanidade. O medo do princípio feminino se transformou numa paranóia coletiva, inclusive nas mulheres. Lembrando que nas antigas civilizações, pré-cristãs tais como: sumérias, egípcias, celtas, as mulheres eram respeitadas e o princípio feminino não era temido e sim reverenciado. O que aconteceu então? O desenvolvimento pulsante do ego. O ego dominou homens profundamente e mulheres de forma menor. E portanto, este principio reprimido em nós, o principio feminino, se transformou em dor emocional profunda. Dores acumuladas por meio do parto, do estupro, da escravidão, da tortura, e das mortes violentas. Bem, para finalizar, um conselho que dou a mim mesma e a muitas mulheres, a necessidade suprema do conhecimento do corpo de dor e do resgate do principio feminino em nós. E aos homens digo o mesmo. Pois a CRISE, é pela supressão deste princípio na vida com um todo. Isso reduziria drasticamente a força do ego, trazendo muito mais afetividade, tolerância, doação, intuição, participação, e todos as energias vindas deste princípio. O principio masculino é maravilhoso também, é o que nos dá sustentação, força, ação, poder, construir o mundo mas sem o feminino se perde no PODER SUPREMO do EGO. E outro conselho dou as homens: Se querem ser felizes com alguma mulher, conheça o corpo de dor feminino e façam as pazes , reverenciem suas MÃES. Reverência esta que faz parte da ordem do amor na construção da vida e curem essa questão. Pois por mais que a mãe não tenha sido mãe dos moldes das propagandas de familia PERFEITA, ela foi a pessoa responsável por trazer todos os homens à vida. Ela é a vida. Um homem em conflito com sua genitora terá conflito com todas as mulheres e será infeliz. O mesmo digo as mulheres nas relações com seus maridos ou futuros. O corpo de dor precisa ser observado em todas nós para que superemos e conquistemos a nossa força essencial de novo. O princípio feminino do universo em nós. Rosa Barros

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Filho pródigo


Vivamos o esplendor da mensagem Crística de Amor e Justiça!

Sabemos o quanto ela foi deturpada e porque não deixarmos os preconceitos em torno da imagem de Jesus.

Jesus está para além das religiões cristãs. É inegável sua força, sua persistência em nossos corações. O seu amor firme, nada vacilante que ama as criaturas recalcitrantes, pusilânimes como nós. Adoradores do poder, na sua acepção menor, inferior.

Há um poder sim, um poder maior, poder de unificação, de construção, de transformação. Somos os filhos pródigos literalmente, aqueles que vão em direção ao mundo e suas facilidades efêmeras, aos seus gozos fugazes,as suas ilusões até a exaustão. Somos seres cansados de tanto sofrer, de tanta solidão, de tanta falta de afeto. Do buraco, do vazio existencial. Do viver sem propósitos dignificantes, só em volta de nossos problemas, das nossas angústias, de nosso pequeno universo.

Ah voar, voar em direção a mais pura verdade que está escrita em nossos corações. E porque ainda sofremos tanto diante de tanta tecnologia, de tantas facilidades? Porque vivemos nessa calamidade social? Porque tanta birra por não temos os nossos desejos egoístas não saciados? A resposta é simples: Não reconhecemos o nosso EGOÍSMO!!! Não reconhecemos o nosso ORGULHO!! Chagas da alma que nos dilaceram mas não largamos de mão. Você se melindra, você se ofende, você se magoa, você sente raiva, você sente inveja, você sente ciúmes, você tem baixo-estima, você se menospreza, você se vangloria? Isso é ORGULHO em nós, e é a causa de nosso sofrimento. Todos esses aspectos são seus filhos diletos. Até quando vamos deixá-lo nos dominar? Até a nossa mais profunda dor, certamente! Infelizmente é assim porque é a única maneira de despertar para os que não se rendem e voltam para 'casa' humildemente. Voltar para a casa... A parábola é primorosa!! Ler seria um bom começo.

As grandes mensagens de amor , justiça e fraternidade já passaram por aqui ha milênios. o que estamos esperando?

Rosa Barros

sábado, 3 de dezembro de 2011

Silencie


Quanto mais silencio mais compreendo...Quanto mais compreendo mais silencio.

E este silenciar está para além do simples ato de parar de falar, deixar de se envolver em algo para não criar atritos, não entrar em discussões, não se comprometer. Não. Quem silencia não cria atritos porque vê de antemão ,sente compaixão. Essa é a lição que aprendi.

Quem silencia já não se perde mais em seus labirintos mentais, ansiosos, angustiantes e conflitantes.

Silêncio é compaixão. E compaixão é a mais profunda compreensão.

No mar de diversidades mentais e conhecimentos temporais, diante da impermanência da vida, como afirmar ou ter certeza de algo?

Diante da vida, apenas sentir será o caminho? Eu sinto que sim.

O homem se apaixonou por conhecer e se fixou no pensar. E só pensando ele jamais conseguiu saber os segredos da vida para além da vida pensada, porque ele pensa e não sente a vida. Ele ainda não silenciou. Portanto ainda não compreendeu nada.

Quando o homem sentir as cores da bela pintura contida na paisagem, a poesia no canto dos pássaros, o perfume essencial da vida nas flores, será livre e leve como as pequenas sementes que bailam por entre brisas sem direção.

A sabedoria da vida me parece estar contida numa flor.

Deixar as aflições e jogos mentais, das ansiedades por certezas e convicções. Das fixações nas verdades relativas do pensamento dos que se embrenharam em descobrir a vida através do pensamento. Muitos enlouqueceram. Angústias profundas viveram. Esse é o caminho mental e torturante que criamos. Onde só acreditamos em ilusões, puro produto mental.

O homem sabe que as 'verdades' são relativas e porque então se fixa? Será por insegurança? E porque é inseguro? Talvez porque esteja preso em labirintos mentais...

"Sente-se diante de uma flor, desarme-se. Neste momento de profunda reverência, sinta. No silêncio estabelecido descubra os segredos da vida contidos em suas pétalas, em suas cores, em suas formas e em seus aromas. O saber divino será revelado e serás Um com a vida." Este foi o segredo que o silêncio me sussurrou.

Rosa Barros

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fluir...


O meu negócio é fluir com a vida...Ser como um rio.
Se me chega um novo conhecer , vou lá, espreito, reflito, sinto o que ressoa em meu coração. Sigo adiante, sou um rio e nada deve me prender a este conhecimento, sinto apenas sua essência, seu perfume. Não o prenderei, não armazenarei em mim para eu ficar resguardada diante dessa 'verdade'. Se me dizem que é divino , eu respeito, mas ainda não é o meu divino fruto da minha experiência interior. O caminho, a viagem, o fluir é em direção ao centro. Nós nos prendemos para ter seguranças , somos inseguros. Queremos viver cheios de convicções mesmo que sejam alheias. Isso preenche nosso vazio. Dizer simplesmente: "Eu não sei." Constrange o nosso ego e suas fantasias. Espero ser sempre aquela que não sabe e que passa, agradece mas sente que tudo é passageiro. Para quê se filiar, se prender, segurar, o que não nos pertence e é impermanente? O que realmente nos pertence é a alegria sentida em conhecer e não em reter. Simplesmente conhecer. Reter é perecer. Sigamos, pois que não há verdade absoluta em nada mas tudo tem uma verdade. E deve ser SENTIDA em nós, e não retida como base de sustentação para o nosso ego, que só deseja poder e reconhecimento. O ego, confuso, desconhece o Amor...

Rosa Barros

domingo, 7 de agosto de 2011

Iluminação


"O estudo atento do orgulho será um caminho de infinitas descobertas para todo aquele que anseia pelas conquistas interiores"
Ermance Dufaux

O Ego ou orgulho é um sentimento de superioridade pessoal,é um "subproduto" do instinto de conservação. Este instinto tinha uma finalidade básica: Servir para o homem no seu desenvolvimento espiritual ao longo dos tempos. Porque sem este "sentimento de valor pessoal" e a "necessidade de estima" nós não desenvolveríamos um autoconceito de dignidade pessoal. Porém, o descontrole e o não entendimento deste sentimento é o que nós vivenciamos como grande distúrbio humano, chamado EGO.
Digamos que é um estágio humano necessário para a evolução consciencial. E neste atual estágio em que vivemos, o estágio do Ego, não temos capacidade plena em controlá-lo e entendê-lo.
E este sentimento cresceu e se tornou uma paixão crônica por nós mesmos.
Seu reflexo em nossas vidas interiores se dá no departamento da imaginação, onde se encontra uma "matriz superdimencionada " de nós mesmos. E apartir dela, que tem vida própria em nós como uma "segunda personalidade" onde tudo se processa. Gerando a dinâmica de todas as operações psiquicas e emocionais de nosso ser. Que vão determinar todas as nossas atitudes, ações, palavras, escolhas, aspirações , gostos e etc. Formação de nossos valores, crenças, conceitos sobre nós e do mundo.
Estar na forma , é estar vivenciando tudo o que o nosso pensamento produz mas entorno de nosso Ego.
O orgulho ou ego nos incapacita olharmos as nossas imperfeições. O que sai dele são idéias fantasiosas de que tudo o que sai de nós é melhor e mais correto do que nos demais. Esta caracteristica chamamos de personalismo. E este sentimento de superioridade interfere na formulação de juízos.
O ego é a parte em nós que pensa em nos defender de nosso abandono primordial. Que quer Amor mas entende o amor como reconhecimento exterior. Como glórias externas e não quer se ver abandonado e sozinho.
Este sentimento de abandono se deu no parto quando tínhamos um sentimento oceânico de união, amor e segurança. A partir deste momento viramos unidade e nos sentimos sozinhos e largados a nossa própria sorte. Este sentimento de nos desprender de tudo o que nós confiávamos e que nos dava segurança era o nosso destino. Este estar "sozinho", de estar separado do Todo Mãe/Pai. Nos concedeu interiormente o sentimento de desorientação, sentimento de desolação e de dúvidas. E continuamos ansiando por este retorno, o retorno a esta sensação de plenitude. Mas como isso é impossivel a partir daí criou-se o solo fértil para o nascimento do Ego em nós e sua tomada de PODER.
Entretanto, toda essa jornada sofrida faz parte da própria descoberta da CONSCIÊNCIA. Saindo deste estágio em direção ao entendimento de uma consciência DIVINA e individualizada. Este mesmo parto simbolizado em nossa trajetória terrana se deu em nossa trajetória espiritual. Em rumo a nossa transcendência como seres filhos da suprema Vida, da suprema inteligência do universo ou Deus.
E apartir daí, do parto primordial, nos sentimos sozinhos e abandonados , e isto nos gerou MEDO e como consequência o surgimento do EGO, esta parte em nós que se defende e cria um mundo baseado na forma, ou melhor, no pensamento que passam a protegê-lo do "mundo hóstil" e o mundo hostil exterior é o reflexo de nossos próprios medos interiores.
Por isso que os Indus chamavam o pensamento de Maya ou ilusão. Criamos um mundo ilusório a partir dos refúgios do ego para nos proteger do medo e do abandona primordial.
A nova Era, ou Era do despertar, é a era do reconhecimento em nós deste Ego adoecido, absolutamente equivocado e necessitado de Amor e transcendência. Aqui chegamos ao ponto do que podemos chamar de grande dístúrbio humano. A doença da humanidade. Que à principio tinha uma nobre finalidade mas se perdeu no caminho de suas próprias ilusões.
Este medo que sentimos faz parte de nosso crescimento como seres em ascenção na Ordem maior da vida. Já possuímos consciência que o ego foi durante estes milênios uma ferramenta de sustentação de nossa psique. Nos deu uma pseudo-segurança para nos afastar de nosso grande VAZIO, o nosso buraco negro.
Nascer significa que temos que enfrentar a vida "sozinhos". Na realidade não estamos sozinhos mas o nosso ego entende desta maneira e faz de TUDO para aplacar este estado de coisas.
Toda a nossa vida foi construída em cima do MEDO e NECESSIDADE DE VALIDAÇÃO EXTERNA.
Nossa consciência está nas garras do MEDO e com isso ela precisa reafirmar-se constantemente e procura validação eXterna. E principalmente, não está disposta a enfrentar o medo subjacente da REJEIÇÃO e SOLIDÃO.
Neste "ESTADO SONAMBÚLICO" semiconsciente somos absolutamente defensivos e com isso o ego cria seus mecanismos de defesas interiores.
Estamos permanentemente em "ESTADO DE CARÊNCIA", por isso nossas buscas infinitas, e sempre necessitando de algo a mais. Nada é suficiente e nos perdemos entre desejos, sensações superficiais e vÍcios de toda sorte. Vivenciamos o VAZIO que não conseguimos preencher.
Nossa relação com a criação e com a vida é com uma consciência que vive em "SOMBRAS".
O que é ter uma consciência que vive em sombras? É uma consciência que sente um profundo sentimento de SEPARAÇÃO, de ABANDONO, de SOLIDÃO, e de FRAGMENTAÇÃO, onde se sente INSIGNIFICANTE e SEM PROPÓSITO.
O medo que ocultamos, nós experimentamos como uma sombra em nós e enfrentá-lo nos causa HORROR.
E para continuar a viver com esta sombra em nós, desenvolvemos "ESTRATÉGIAS PARA VIVER COM ELA" e tornar a vida mais suportável. E ego como só trata os problemas em sua superfície e periferia em lugar de fazê-lo em seu centro, em seu interior. Ele volta a consciência para fora, para o exterior, para o mundo fisico e palpável, mensurável. É o que pensa, acredita ser possível de se manejar melhor, mais fácil. É o mundo material, e o nascimento do materialista. Do olhar para fora, para o exterior. O ego inteligente adora a lógica materialista, e é por isso que o materialismo impera em todos os sentidos e com ele ganhamos todas as suas mazelas de significado e sentido.
O ego tenta aliviar suas dores internas com energias que capta do mundo exterior, ou seja, seus desejos de reconhecimento,de admiração, de poder ( prioritariamente), de atenção e etc. E com isso cria aparentemente respostas ao seu desejo profundo de AMOR, UNIDADE, SEGURANÇA e TRANCENDÊNCIA.
O que realmente, nós, como seres queremos essencialmente é estar totalmente conscientes de nosso próprio SER. Mas só poderemos encontrá-lo enfrentando o medo e nossas escuridões. Voltar ao interior ao invés do exterior.
Temos uma consciência que essencialmente é LUZ. E ela não precisa lutar contra a escuridão. A sua simples presença, a luz, dissolve a escuridão. Precisamos é de lUZ, LUCIDEZ!
Acredito que voltando a nossa consciência para dentro de nós, os milagres acontecerão.
O ego atua dentro dos registros de necessidades de amor e segurança. Ele não enfrenta a escuridão, ele vive de "truques", ou seja, a necessidade de amor se torna necessidade de aprovação e reconhecimento por parte das pessoas. Transforma a necessidade de unidade e harmonia em necessidades de sobressair-se e ser melhor que os outros. Uma vez que o ser pense em ser amado e ser admirado por seus feitos, o ser não precisará mais percorrer os grandes labirintos de seu mundo interior em busca de amor. Dá trabalho!
O ego distorce o desejo de amor por reconhecimento. Ele procura toda essa validação externa que temporariamente lhe provê segurança.
A nossa consciência está totalmente focada no mundo exterior. Confia na validação e julgamento alheio. Está preocupada com o que os outros vão pensar dela. E sua auto-estima é dependente da validação externa. Mas o nosso profundo sentimento de abandono e solidão não é aliviado,e só piora na realidade quando nos recusamos a olhar para ele.
Tudo o que NÃO queremos VER é o nosso "LADO SOMBRIO". Deixamos o MEDO , a IRRITABILIDAE e as NEGATIVIDADES nos dominarem, nos rodeiarem e nos permeiarem. Influenciando mais ainda a nossa RECUSA de nos olharmos e influenciando a maneira que vivemos no mundo e a própria dinâmica do Mundo. Este, reflexo de nós mesmos.
Para nos ILUMINARMOS , este nome tão usado e tão mal entendido, deveríamos entender que a iluminação não é estarmos conscientes completamente de tudo o que há dentro de nós. Mas que é o desejo em enfrentar cada aspecto de nosso ser de forma consciente.
Budda fez isso como grande exemplo, enfrentou-se e se iluminou. O estado BÚDICO é o da iluminação e é o nosso DESTINO.
ILUMINAÇÃO é igual ao AMOR. Amar é nos aceitar como somos, desde o nosso mais belo sorriso em alegria até ao sabor salgado de nossas lágrimas em dor.
Rosa Barros

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Inteiros revelados



Naquele dia sabia que estava diante de algo raro.

Havia simplicidade e inocência. Havia tanta beleza nas falas

que fiquei momentaneamente absorvida por elas.

A beleza me absorveu de tal forma que me tornei uma com ela.

E tudo se tornou sagrado.

Sua voz suave e tímida, tinha tanto carinho inibido que me fascinava.

A pureza se revelava.

Senti vigor e centralidade em ti .

Me pacifiquei. Naquele momento eu era paz.

Do meu peito desabrochavam rosas brancas...

Da brandura de seu ser saiam pétalas de sinceridades.

O diálogo se deu entre não-saberes, apenas de escuta, escutamos as possibilidades.

O que de possível éramos ali, sem expectativas.

Por entre risadas e gestos suaves, nossos rostos se iluminavam.

De prazer inenarrável!

Plenos momentos...

Quando poderia imaginar que te encontraria, assim, por acaso.

Será que existe acaso? Não sei, diria você.

E seguimos sem saber mas apenas vivendo...

Diria que és uma alma nobre, daquelas que nos despetam para nós mesmos.

A mulher além de mim mesma, te recebe e se entrega.

E me sinto completa,

plena e inteira.

Inteiramente sua.

Fico por entre sorrisos, levezas, ternuras e lágrimas.

Lágrimas sim, estas pérolas que rolam no meu rosto em contentamento.

Elas correm em direção aos meus lábios

e sinto o gosto do mar.

Estar contigo é um encontro comigo mesma.

Encontro de descobertas, não no depois mas no durante.

Nesse jogo espelhar, vejo o claro escuro contido em mim.

Não me embaraço, só reconheço e desperto.

O que é isso tão serenamente revelador?

Me engrandece e me enobrece.

A beleza me visita sempre que apareces, a beleza da alma

que ultrapassa toda a forma.

Não conseguiria descrevê-la.

Os toques são como os movimentos do mar...

No bailar suaves das calmarias ou em profundas ondulações,

correntezas de profundo vigor.

Quando nos encontramos é belo ver as cores em nossos corpos

Resplandecente arco-íris!

Sobem e descem em movimentos espiralados.

Digo que flutuo e me enraizo.

Um encontro entre céus e terras...

Onde o sagrado e o profano se encontram num sublime complementar de forças.

Há beleza em tudo! Os nossos olhos brilham, trazem a chama da vida.

A vida que pulsa em nossos pulsos acelerados.

Nestes encontros somos melhores e mais íntegros.

Somos a essência de nós mesmos.

Os aromas do encantamento nos abarca e os nossos perfumes exalam...

Juntos e separados, somos inteiros revelados.

Eu a mais bela das mulheres e você o mais

belo dos homens.

Rosa Barros